“Eu espero” é um livro que fala das coisas pelas quais se espera na vida. Quando se é pequeno, esperam-se pequenas coisas: que o bolo esteja bom, que chegue o Natal, um beijo antes de adormecer; depois, ao crescer, esperamos coisas maiores: o amor ou o fim da guerra.
Fiz sempre banda desenhada e livros humorísticos, mas, recentemente, senti a necessidade de escrever um livro sobre o sentido da vida. Assim nasceu “Eu espero”. O livro conta as coisas que se passam na vida com frases curtas, mas principalmente com imagens simples e ternas, desenhadas por Serge Bloch.
A vida é feita de acontecimentos alegres ou tristes; o mesmo se passa em “Eu espero”: o amor, o casamento, mas também a doença e a morte. Se bem que repleto de emoção, não se pode considerar um livro triste.
Talvez seja o meu melhor livro até hoje e agradeço à Sarbacane, que teve a coragem de editar um livro tão pouco convencional e também ao Serge Bloch que fez um trabalho excepcional: o fio encarnado que atravessa as ilustrações de uma página a outra representa bem o fio da vida que quis contar.
— Davide Cali
A capa deste livro, um formato que evoca um envelope; o interior, muito branco, já que as personagens, finamente desenhadas num traço negro, reclamam pouco espaço. Ùnico toque de cor, um fio de algodão presente em cada página, fio encarnado, claro, nesta belíssima evocação das perspectivas da vida, a partir do qual o ilustrador multiplicou as suas aplicações: enfeite de Natal, xaile fino, lenço do adeus. (...)
É um existência inteira que está aqui exposta em poucas palavras, nalgumas imagens delicadas, as idades de um homem, da sua infância à velhice, das alturas mais alegres às mais dolorosas. (...)
Um livro excepcional que demonstra que somente com um lápis, uma bobine de fio, mas acima de tudo com um talento incrível, se pode imaginar uma obra que tocará a grandes e pequenos.
— Sylvie Nemans | Le temps
Neste livro, acompanhamos o crescimento e os desejos de um menino, desde a infância até à velhice. Aqui, conhecemos as suas vontades mais simples (ou, até, infantis) – como esperar que o bolo esteja cozido – e os seus sonhos mais profundos – esperar que a guerra chegue ao fim, por exemplo. Na narrativa, observa-se, portanto, a oscilação entre um comovente dramatismo, que se pressente em diversos momentos da narrativa, e um humor delicado, sustentado, não raras vezes, pela metáfora e pelo simbolismo de alguns elementos. O formato original, a simplicidade e a concisão do discurso verbal, aliado a um conjunto de ilustrações a negro e branco, pontuadas também, desde o início, pela presença subtil do vermelho, prendem irremediavelmente o olhar do leitor. As imagens, sóbrias, muito elegantes e bem doseadas, multiplicam os sentidos do texto verbal, também ele apresentado paulatinamente, sem pressas, e exigindo sempre o regresso ao título “eu espero”. As ilustrações imprimem profundidade, ampliam o conteúdo linguístico e algumas das suas linhas nucleares e concedem espaço a uma pausa ou à reflexão, que, por exemplo, o desfecho deixa ecoar. Este é um livro imperdível que, como poucos, possibilita diferentes níveis de leitura.
— Sara Reis da Silva | Casa da Leitura |