Num registo visivelmente invulgar, no universo (português) da escrita de potencial recepção infanto-juvenil, este álbum narrativo ficcionaliza de forma envolvente alguns dos momentos essenciais de um percurso existencial anónimo que é, no fim de contas, o de todos os seres humanos. Neste livro, acompanhamos o crescimento e os desejos de um menino, desde a infância até à velhice. Aqui, conhecemos as suas vontades mais simples (ou, até, infantis) – como esperar que o bolo esteja cozido – e os seus sonhos mais profundos – esperar que a guerra chegue ao fim, por exemplo. Na narrativa, observa-se, portanto, a oscilação entre um comovente dramatismo, que se pressente em diversos momentos da narrativa, e um humor delicado, sustentado, não raras vezes, pela metáfora e pelo simbolismo de alguns elementos. O formato original, a simplicidade e a concisão do discurso verbal, aliado a um conjunto de ilustrações a negro e branco, pontuadas também, desde o início, pela presença subtil do vermelho, prendem irremediavelmente o olhar do leitor. As imagens, sóbrias, muito elegantes e bem doseadas, multiplicam os sentidos do texto verbal, também ele apresentado paulatinamente, sem pressas, e exigindo sempre o regresso ao título “eu espero”. As ilustrações imprimem profundidade, ampliam o conteúdo linguístico e algumas das suas linhas nucleares e concedem espaço a uma pausa ou à reflexão, que, por exemplo, o desfecho deixa ecoar. Este é um livro imperdível que, como poucos, possibilita diferentes níveis de leitura.


O caso da editora Bruaá – Caminhos e atalhos da edição para a infância em Portugal

No universo de livros que se inscrevem na comummente designada literatura infantil e juvenil, um âmbito literário e editorial de aparecimento relativamente tardio, em Portugal (note-se que, apenas da segunda metade do século XIX, se podem datar as primeiras publicações para crianças), o aumento do número de títulos publicados nos últimos anos é muito significativo e o mesmo se pode dizer relativamente ao acréscimo das vendas(1) – e aqui, mesmo não pretendendo reflectir ou debater o actual contexto sociopolítico e educativo que se vive em Portugal relativamente à promoção dos hábitos de leitura, não posso deixar de referir que este acréscimo é, muito provavelmente e em parte, deste resultante.
Um mercado em crescimento ou um negócio em forte expansão – porque, segundo alguns, “há mais leitores, melhor ilustração, textos de qualidade e a entrada neste mercado de nomes conceituados da escrita para adultos” (Lucas, 2005: 32) –, a verdade é que os livros para crianças e jovens que têm surgido mais recentemente nos escaparates das livrarias portuguesas evidenciam uma evolução ou uma melhoria significativa, a vários níveis. A preocupação com a estética do objecto-livro transparece, não só da vertente ilustrativa ou da composição gráfica, mas também do próprio texto verbal que parece estar, agora, aberto à ficcionalização de um conjunto mais alargado de linhas ideológicas e à tematização de uma pluralidade de valores.
E apesar de se observar a publicação de obras de muito discutível qualidade, consideramos que se assiste, hoje, e em termos genéricos, a uma elevação dos padrões estético-literários dos livros infanto-juvenis. Nas secções que as livrarias dedicam aos mais novos – e recorde-se, a propósito, que existem já, no nosso país, algumas livrarias exclusivamente destinadas à comercialização de livros para leitores mais jovens(2) –, as opções são muitas e diversas e vão desde o que, permitam-me a expressão, se pode considerar como “poluição literária”, até às colectâneas nacionais e estrangeiras de contos (de autor ou do património tradicional oral) e de poesia, aos volumes de textos dramáticos (estes visivelmente em menos quantidade), às colecções de novelas juvenis de aventura e mistério, aos mini-dicionários/mini-enciclopédias por imagens, aos álbuns de BD, etc. etc.. Um grupo alargado de autores Portugueses publica com regularidade – alguns deles há já vários anos – e com qualidade reconhecida. Vejam-se os títulos da autoria de Matilde Rosa Araújo, Luísa Dacosta, Luísa Ducla Soares, Alice Vieira, Manuel António Pina, Álvaro Magalhães, António Torrado, Maria Alberta Menéres, António Mota, Ana Saldanha, João Pedro Mésseder, Vergílio Alberto Vieira, Alexandre Honrado, José Jorge Letria, Arsénio Mota, todos estes ainda entre nós, ou de Sophia de M. B. Andersen e Ilse Losa, apenas para citar alguns exemplos.
Em qualquer um destes autores ou em qualquer dos seus textos, a criança, enquanto destinatário preferencial, é respeitada, sendo abordadas, sem moralismos ou recusando a forma infantilizante e simplista – porque “uma criança é uma criança mas não é um pateta”, como afirma Sophia de M. B. Andersen –, sendo abordadas, dizíamos, questões nucleares para o seu desenvolvimento, como o crescimento, o auto e o heteroconhecimento, a família, a amizade, o respeito pelo outro, a ecologia, ou, até, temas considerados difíceis, como a adopção, o divórcio e a morte. Activa-se, pelo contrário, um discurso verdadeiramente literário, pautado pela inovação e pela criatividade ou pela construção expressiva de sentidos, a partir de mecanismos retórico-estilísticos que sustentam uma recriação plurissignificativa do real empírico, alimentando, portanto, um universo maravilhoso, reinventado, frequentemente, com humor, nascido, por vezes, do “nonsense” e do absurdo.
Com efeito, crianças e jovens em Portugal têm já ao dispor um conjunto de títulos bastante estimulantes que chegam ao mercado por meio de um número considerável de editoras. A par das publicações de editoras perfeitamente implantadas no mercado livreiro português como a Caminho, a Livros Horizonte, a Afrontamento, a Ambar – estas, em particular, com uma oferta relativamente significativa de livros nacionais e traduzidos vocacionados para os mais novos, em particular, no âmbito do álbum narrativo –, a Campo das Letras, a Civilização, a Asa, a Gailivro, a Porto Editora, a Terramar ou a Dom Quixote, assinale-se o surgimento nas bancas de volumes com a chancela de editoras estrangeiras especialmente interessadas na publicação de álbuns narrativos, como a Kalandraka e a OQO, e, ainda, a acção de jovens editoras nacionais (responsáveis, sem dúvida, por uma notável renovação do universo literário em questão) como, por exemplo, O Bichinho do Conto(3) , A Cobra Laranja(4) , a GATAfunho(5) , as Edições Kual, a Edições Eterogémeas, a Deriva, a Minutos de Leitura(6) ou a Planeta Tangerina(7) .
Umas e outras possuem nos seus atraentes catálogos obras apelativas, regra geral, abundamente ilustradas e dedicadas a pequenos (em alguns casos, muito pequenos) leitores, parecendo, ainda, ter em comum o interesse genuíno pelo livro enquanto objecto estético, em especial pelo livro infanto-juvenil, encarado como uma publicação à qual não basta uma impressão multicolor, por vezes, com brilhos rosa, prateados e florescentes, de bonecos que apenas espelham visualmente uma história simplista e com a qual se procura, quase ostensivamente, moralizar. A diversidade de autores e de ilustradores nacionais e, naturalmente dos seus registos, a abertura à literatura que se publica no estrangeiro e, portanto, a edição de títulos traduzidos, a liberdade de formatos e/ou a inovação gráfica e a pluralidade de temáticas ficcionalizadas, por exemplo, facilmente levam a concluir que longe estamos do tempo em que se promulgavam “Instruções sobre Literatura Infantil”. Não resisto a lembrar que, em 1950, a Direcção dos Serviços de Censura emitia um documento assim intitulado no qual se explicitava, por exemplo, que “O Governo, (…) por consideração de simples bom-senso, não pode desonerar-se da obrigação de impor princípios gerais orientadores, éticos, psicológicos e estéticos, além de um mínimo de condições técnicas que salvaguardem a higiene visual do leitor.”, deixando registadas normas como a “Proibição do emprego de tintas de cor na impressão da escrita, a qual deverá imprimir-se sobre fundo creme ou branco” ou “Nas composições cromáticas ter-se-á em vista que as cores espectrais de comprimento de onda muito diferente são as que produzem fenómenos de contraste mais intenso. Exemplo: azul-amarelo; vermelho-azul esverdeado; vermelho-verde. Nestes termos, as cores complementares darão boa visibilidade. Fatiga menos o verde, é mais fatigante o vermelho.” Impensável – felizmente – no universo actual da edição portuguesa de livros de destinatário explícito infantil…
Uma nota rápida, ainda, para lembrar que um dos segmentos de mercado e/ou um dos âmbitos estético-literários mais deficitários na edição de autoria portuguesa é, indubitavelmente, o dos álbuns narrativos para primeiros leitores (ou, até, pré-leitores – sublinhe-se a este propósito, por exemplo, o carácter lacunar da publicação portuguesa de livros para bebés), ou de livros com um formato considerável ou invulgar, compostos em papel de alta gramagem, em policromia, que evidenciam uma profusa composição visual, aliada expressivamente a um texto verbal económico.
Na verdade, mesmo tendo a felicidade de podermos contar com os trabalhos artísticos e pioneiros de Maria Keil (recordem-se, por exemplo, os volumes da colecção “Histórias de amor de mais”) e de Manuela Bacelar (com “O Meu Avô”, “O Dinossauro”, “Bernardino” ou “Sebastião”)(8) , ao assinarem o texto e as ilustrações de alguns dos seus volumes mais emblemáticos e que certamente continuam a servir de referência a uma nova geração de talentosos ilustradores, responsáveis, em larga medida, por um notável impulso criativo na edição portuguesa de livros infantis – atente-se, por exemplo, no trabalho de: André Letria, Gémeo Luís, Teresa Lima, Cristina Valadas, João Caetano, Danuta Wojciechovska, Marta Torrão, Elsa Navarro, Joana Quental, Inês de Oliveira, Alain Corbel, Madalena Matoso, João Vaz de Carvalho, Bernardo Carvalho, Alex Gozblau, José Miguel Ribeiro, Evelina Oliveira, José Manuel Saraiva, Margarida Botelho, André da Loba, Marta Madureira, entre outros (peço desculpa se me esqueci de referir alguém…) – mesmo tendo a alegria de termos as nossas Maria Keil e Manuela Bacelar, dizíamos, estamos ainda distantes do que, há longos anos, se vive, por exemplo, nos países anglo-saxónicos ou em outros europeus. As obras – algumas delas já clássicas – de David Mackee (e o célebre elefante Elmer), de Max Velthuijs (e a colecção do Sapo) – que, por exemplo, têm chegado até nós com a chancela da Editorial Caminho –, de Anthony Browne, Leo Lionni, Tomi Ungerer, Babette Cole ou Maurice Sendak são referentes estético-literários que possibilitam o contacto privilegiado com um objecto em que se aliam duas artes, a literatura e a ilustração, e que representa uma “preciosa iniciação à arte da narrativa, trilhando complexos caminhos” (Gomes, 2003: 5).
E é neste contexto – muito sucintamente delineado – que assistimos ao nascimento da Editora Bruaá e da publicação do clássico “A Árvore Generosa” (Março de 2008). Com o título original “The Giving Tree”, este conto em forma(to)(9) de álbum narrativo tem a assinatura do americano Shel Silverstein (1930-1999)(10) , tendo sido publicado, pela primeira vez, já nos longínquos anos 60 (1964) e encontrando-se traduzido em mais de 30 línguas (e, agora, também em português por Miguel Gouveia).
Aberta à edição de originais portugueses de literatura infantil “que se identifiquem com uma linha editorial alternativa e exigente”, a Bruaá optou por inaugurar o seu catálogo com a tradução de um exemplar inscrito precisamente num género, como mencionámos, ainda relativamente escasso em Portugal: o álbum narrativo ou, na designação inglesa, o “picture story book”.
“A Árvore Generosa” é, antes de tudo, um livro de capa dura, impresso em papel de gramagem elevada (com uma composição aparentemente reciclada e, portanto, consentânea com o fundo ecológico que poderá ser antevisto na própria história) e cujo design gráfico deixa transparecer um cuidado especial. Com uma notável economia de meios – quer ao nível cromático (note-se que todas as ilustrações são compostas a traço negro), quer ao nível linguístico –, esta obra de S. Silverstein convida, exige, até, uma leitura dialogada entre a componente pictórica e a componente verbal. Assim, é a descodificação simultânea dos dois códigos que possibilita o contacto com uma história estruturada de forma simples – não simplista ou redutora – e linear, na qual interagem apenas duas personagens anónimas. Esta narrativa verbo-icónica, que, ao sabor dos contos tradicionais, abre com a fórmula hipercodificada “Era uma vez…”, mecanismo através do qual se sugere as ideias de longínquo e intemporal, desenvolve-se em torno da relação emotiva e extensa no tempo entre uma árvore, aqui revestida de características humanas, como avança o título, e uma criança, figura à qual o texto linguístico se refere sempre como menino, mas que surge recriado de forma distinta ou evolutiva pelo texto ilustrativo.
A partir de uma singular condensação verbal, resultado do recurso a enunciados elípticos e à presença assídua do diálogo, narra-se, neste elegante álbum, a história de duas vidas que se encontram em diferentes momentos ou de um amor, feito, naturalmente, de muitas dádivas, de alegrias e de angústias, e de mudanças. O enredo não é, pois, complicado. Uma árvore antropomorfizada alimenta um amor incondicional e eterno por um menino. Este, por seu turno, enquanto criança, dedica-lhe também todo o afecto – “O menino amava aquela árvore como ninguém” –, visita-a diariamente e faz dela a sua companheira de sonhos e de brincadeiras – “E todos os dias o menino vinha, juntava as suas folhas e com elas fazia coroas, imaginando ser o rei da floresta.” A palavra solidão era, pois, desconhecida por ambos os amigos até ao momento em que o crescimento do menino, a passagem do tempo e a sua transformação em adulto suscitam a mudança no seu relacionamento. Tendo, assim, como “leitmotiv” a complexa relação entre o homem e a natureza, quase sempre inquinada – como neste livro de S. Silverstein – por um constrangedor egoísmo por parte daquele, a narração centra-se nos elementos verdadeiramente cruciais da acção e constrói-se a partir das sucessivas partidas e regressos do menino feito adulto, apenas motivados pela concretização de desejos materiais – “Quero comprar coisas e divertir-me”. As ofertas incansáveis e desinteressadas da árvore alimentam esses regressos e abrem caminho a uma série de possíveis reflexões do leitor acerca, por exemplo, da desigualdade de dedicação que caracteriza a relação entre as duas personagens do texto.
Do ponto de vista simbólico, e ainda que este não seja o espaço propício a uma análise exaustiva deste aspecto, é possível efectuar uma interpretação de elementos como o confronto psicológico entre o feminino e o masculino, representados pela árvore e pelo menino, respectivamente: ela é aquela que fica, que permanece à espera; ele, por seu turno, é aquele que parte e que regressa esporadicamente. Com efeito, a árvore “é um dos temas simbólicos mais ricos e difundidos”. Representando “a vida, em perpétua evolução”, “a árvore evoca todo o simbolismo da verticalidade.” (Chevalier e Gheerbrant, 1994: 89), podendo, ainda, e no caso concreto da sua actuação no texto em análise, identificar-se com a essência maternal. Ainda neste contexto, importa referir que o fundo temático de “A Árvore Generosa” parece repousar na ideia de que “A simbologia da árvore e sua veneração conservam um resto de antiga religião natural, na qual árvores não são simplesmente fornecedoras de madeira, mas sim entes animados (…).” (Biedermann, 1994: 38). Mesmo a circularidade que pauta a diegese – note-se que a acção principia e encerra com um momento de união, ainda que índole distinta, das duas personagens – parece, de certo modo, reflectir a ideia de eterno retorno, ou, simbolicamente, da voracidade e da inexorabilidade do tempo. Na verdade, neste conto, o tempo que aproxima e constrói é o mesmo tempo que separa e exaure.
Refira-se, ainda, que a sugerida antinomia estatismo/dinamismo estende-se às próprias ilustrações e/ou à composição gráfica que, por vezes, se estrutura visualmente a partir do corte parcial da figura infantil no limite da folha, apenas retomada em imagem/imagens seguinte(s), recriando as ideias de movimento e de deslocação física. Um apontamento também relativamente à funcionalidade semântica da representação pictórica variada das posições e da direccionalidade dos ramos e das folhas da árvore, que, testemunhando o seu carácter antropomorfizado, desvendam os seus distintos estados psicológicos e emotivos, tornados, assim, evidentes muito mais pelas imagens do que pelas palavras.
Impresso em caracteres negros sobre papel creme, o texto verbal vai surgindo progressivamente, sem pressas e de forma bem doseada, junto a conjuntos sucessivos de ilustrações de dupla página, quase todas marcadas pela presença – ou, no caso do menino, por vezes, pela sugestão da presença a partir de elementos visuais que o anunciam – dos dois co-protagonistas. Assim, a eficácia do relato, no caso concreto do discurso verbal sempre na terceira pessoa (narrador heterodiegético), resulta quer do aspecto visual quer do aspecto linguístico e, muito especialmente, da equilibrada articulação entre estes ou do jogo de sentidos que entre as duas vertentes se opera.
Mas o distinto livro que é “A Árvore Generosa” também prende a atenção, logo num primeiro olhar, pela forma como, nas suas páginas, com invulgar delicadeza e um envolvente poder de sugestão, se cruzam temáticas como a infância e a idade adulta, o crescimento, o amor/a amizade, o eu e o outro, o tempo ou a mudança, a complexidade da vida, o material vs. espiritual e, naturalmente, o egoísmo e a generosidade. O impacto emotivo desta obra é indiscutível e a singularidade da sua composição, harmoniosa, simbólica e sugestiva, garante o seu sucesso junto dos leitores, pequenos ou grandes, porque um texto literário de qualidade como é “A Árvore Generosa” não tem idade, não tem tempo, afirma-se, tão-só, por aquilo que a arte preza: a instituição do Belo.

Referências bibliográficas:
– BIEDERMANN, Hans (1994). Dicionário Ilustrado de Símbolos. São Paulo: Melhoramentos.
– CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain (1994). Dicionário dos Símbolos. Lisboa: Teorema.
– GOMES, José António (2003). «O Conto em forma(to) de álbum: primeiras aproximações» in Malasartes (Cadernos de Literatura para a Infância e a Juventude), Nº 12, Novembro de 2003, pp. 3-6.
– LUCAS, Isabel (2005). “A explosão do livro infantil” in Diário de Notícias, Sábado, 2 de Abril de 2005, pp. 32-33.
– OLIVEIRA, José (2005). «A edição de livros para a juventude» in O Branco do Sul As Cores dos Livros – Actas dos Encontros sobre Literatura para Crianças e Jovens, Beja, 2001 e 2002. Lisboa: Caminho, pp. 43-51.
– S/n (1950). Instruções Sobre Literatura Infantil, Lisboa: Direcção dos Serviços de Censura.
(1) J. Oliveira regista que «Em 1998, o total das vendas de livros de todos os géneros foi de aproximadamente 58 milhões de contos, correspondendo aos livros para crianças e jovens cerca de 7,5 milhões de contos (cerca de 13%). É uma quantia bastante considerável, e houve no volume d evendas de livros para crianças e jovens um acréscimo de 8% em relação ao ano anterior (1997).(…) Se excluirmos o sector do livro escolar, que é uma coisa que distorce bastante as estatísticas, é interessante notar também que a literatura para crianças e jovens aparece constantemente em segundo lugar, logo a seguir à chamada literatura geral, que inclui romance, teatro, poesia… Ou seja, também do ponto de vista económico é uma parcela poderosa da edição.» (Oliveira, 2005: 45-46)
(2) De referir a Salta-folhinhas, no Porto, ou a Pequeno Herói e a Bichinho do Conto, em Lisboa.
(3) «Editora O Bichinho de Conto O desenvolvimento de cada indivíduo depende das experiências vividas ao longo do seu crescimento. A infância está intimamente ligada à fantasia, à aventura e à descoberta de sensações. Porque estas noções cabem no imaginário de qualquer criança. O Bichinho de Conto dedica o seu trabalho à infância e promove através dos seus livros as primeiras leituras. Leituras divertidas, criativas e inteligentes, onde as crianças tomam contacto com o objecto livro e as suas magníficas histórias. Porque nestas idades é tudo possível, não há limites para a ilustração. A qualidade e a originalidade das obras editadas são o “metro” desta editora que pretende através do livro e da animação da leitura, dar espaço ao sonho e à fantasia, educando crianças e adultos para a leitura.» (retirado de http://www.obichinhodeconto.pt/editora/, no dia 01 de Junho de 2008).
(4) Sobre o lançamento, em Portugal, de A Cobra Laranja (dir. de Pia Kramer), Ana Marques Gastão, no artigo “Livros com o coração dentro”, publicado no Diário de Notícias, em 21 de Maio de 2002, refere que esta editora “se lança sobre a ideia da fantasia, acedendo aos “mais secretos desejos, medos e ideias dos mais pequenos”. Decidiu, então, iniciar a sua actividade com títulos da literatura/ilustração infantil surgida e premiada nos últimos anos na Alemanha” (retirado de http://64.233.183.104/search?q=cache:dXorEJlaWKEJ:www.bedeteca.com/index.php%3FpageID%3Drecortes%26recortesID%3D523+%22A+ Cobra+Laranja%22&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=6&gl=pt, no dia 01 de Junho de 2008).
(5) “GATAfunho é a chancela infantil e juvenil de uma recente e pequena editora de Lisboa, que agora completa dois anos de existência. Com a aposta inicial em grandes autores e ilustradores infantis estrangeiros, como Helen Oxenbury, Tony Ross, David McKee ou Jutta Bauer, publicámos pouco mais de duas dezenas de bons livros. Sem perder de vista essa aposta, queremos consolidar o nosso catálogo com valores emergentes portugueses na ilustração e ficção para crianças. Para além dos atributos artísticos ou pedagógicos das obras que publicamos, a nossa linha editorial tem sido e continuará a ser pensada para responder a esta pergunta: o que pode cada livro fazer por uma criança? Pode fazer muito: é essa a nossa ambição e é por isso que aqui estamos. 21 dos nossos títulos estão incluídos no Plano Nacional de Leitura / LER+.” (retirado de http://gatafunho.squarespace.com/apresentacao/ no dia 01 de Junho de 2008).
(6) “Os nossos livros reflectem a inocência e a imaginação das crianças, através de temas com os quais elas se identificam, com muito humor e uma atitude desmistificadora dos seus medos, e, sempre, com ilustrações maravilhosas e imaginativas, ajudando assim os pais a educar e a comunicar melhor com os seus filhos. Queremos transmitir uma boa atitude!” (retirado de http://www.minutosdeleitura.pt/cgi-bin/ml.cgi no dia 01 de Junho de 2008).
(7) “Planeta Tangerina. Livros que acrescentam. Cada edição do Planeta Tangerina é preparada com os cuidados de uma fornada antiga de pão: recolhemos o cereal, apenas quando se encontra maduro; trituramos no moinho, em pedra que moa fininho para não passarem impurezas; e depois amassamos e voltamos a amassar, de mangas bem arregaçadas (e mãos sempre lavadas). Após um longo e quente repouso, tendemos pequenas bolas que vão a cozer em forno de lenha. Mais tarde, desfolhamos devagar cada exemplar, saboreando todo o miolo ainda fumegante… A Editora Planeta Tangerina aposta na edição de álbuns ilustrados para pequenos e grandes leitores. Cada livro é cuidadosamente pensado: da ideia ao texto, das ilustrações ao design ou à escolha do papel, todos os elementos se conjugam pela qualidade do todo final.» (retirado de http://www.planetatangerina.com/publico/2.editora_apresentacao.html em 01 de Junho de 2008).
(8) Ainda que pontual, não podemos deixar de referir aqui também o trabalho da artista plástica Leonor Praça, em “Tucha e Bico” (1969), uma obra bastante original, à data da edição.
(9) Expressão de José António Gomes em “O Conto em forma(to) de álbum: primeiras aproximações” in Malasartes (Cadernos de Literatura para a Infância e a Juventude), Nº 12, Novembro de 2003, pp. 3-6.
(10) “Shel Silverstein foi provavelmente o autor americano para crianças mais popular do século XX. Foi um artista verdadeiramente singular e multifacetado. Shel Silverstein foi escritor, poeta, ilustrador, dramaturgo, letrista (compôs “A Boy Named Sue” para Johnny Cash) e cantor. No entanto, são os seus livros para crianças que deliciaram milhões de leitores por todo o mundo, que o vão tornar internacionalmente conhecido como um dos autores para crianças mais populares e amados de todos os tempos, muitas vezes comparado a Edward Lear, Dr. Seuss e A.A. Milne. Nascido em Chicago a 25 de Setembro de 1930, Sheldon Allan Silverstein começou desde cedo a escrever e a desenhar já que, como ele próprio disse: “ Preferia ter sido jogador de basebol ou ter sido um sucesso com as miúdas. Mas como não conseguia jogar nem dançar dediquei-me à escrita e ao desenho. Tive sorte em não ter ninguém por quem copiar ou que me impressionasse. Acabei por desenvolver um estilo próprio.” Silverstein publicou as suas primeiras histórias no jornal militar Pacific and Stripes, enquanto servia o exército americano na Coreia, nos anos 50. O seu trabalho chamou a atenção da Playboy, onde colaborou durante seis anos, e ganhou notoriedade internacional com o desenho que representa um prisioneiro acorrentado à parede pelos pés e pelos punhos dizendo a outro acorrentado: “Pssst! Tenho um plano!”. Em 1961, estreou-se com o livro “Uncle Shelby`s ABZ Book”. Shel Silverstein nunca pensou em escrever para crianças – o que não deixa de ser surpreendente para um artista cujas obras para crianças acabaram por ser traduzidas em mais de 30 línguas. Nos anos 60, o seu amigo Tomi Ungerer, também ele um escritor para crianças, cuja carreira estava a florescer, apresentou Silverstein à sua editora, a lendária Ursula Nordstrom da Harper Collins. Desta ligação acabou por resultar a publicação dos seus dois primeiros livros infantis “Lafcadio, the lion that shot back” em 1963 e “A árvore generosa” (The giving tree) em 1964 que o vem a consagrar. Este último teve inicialmente vendas bastante modestas, mas rapidamente a parábola sobre um menino e uma árvore tornou-se uma referência para leitores de todas as idades. Décadas depois da sua publicação, com mais de cinco milhões e meio de cópias vendidas, “A árvore generosa” tem um lugar cativo no top de vendas dos clássicos de sempre. O livro “Where the Sidewalk Ends”, a primeira colecção de poemas de Shel Silverstein, publicado em 1974, tornou-se num clássico instantâneo. Mais duas colectâneas se seguiram: “A Light in the Attic” em 1981 e “Falling Up” em 1996. Ambos dominaram o top de vendas durante meses, com “A Light in the Attic” Shel bate todos os recordes prévios com a sua permanência de 182 semanas no primeiro lugar da lista do New York Times. Em 1984, ganha um Grammy Award for Best Children’s Album com o livro “Where the Sidewalk Ends“. Embora as suas histórias façam parte dos catálogos infantis, Silverstein é um desses poucos autores que se pode afirmar serem, de facto, para todas as idades. Dono de um traço preciso, ele mostra no próprio desenho a sua visão do mundo: dizer muito com extremamente pouco. Na parte final da sua vida, Silverstein concentra-se na escrita teatral, escrevendo peças como “The Lady or the Tiger”, “Gorilla”, “Wild Life”, etc.. Silverstein também escreve com o seu amigo David Mamet o filme “Things Change” em 1988. No entanto, é a sua poesia que continua a ser a sua mais valia. Os seus versos deram às crianças permissão para, momentaneamente, serem adultos e (também importante) deixaram os adultos experimentar a nunca simples perspectiva das crianças. Até à sua morte em Maio de 1999, continuou a criar peças de teatro, canções, poemas, histórias, ilustrações e acima de tudo, como disse ele próprio, “a divertir-se”.» (retirado de http://www.bruaa.pt/livros.htm, no dia 3 de Junho de 2008).

Sara Reis da Silva (Universidade do Minho) – Primeiro de Janeiro 21.7.08