Nasceu mais um álbum da Bruaá. Vimo-lo na Feira do Livro, no sábado passado. Por não editar em catadupa, e pelos critérios rigorosos por que se rege, faz-nos desejar. Nos tempos que correm é um privilégio voltarmos a desejar, a ansiar e termos de esperar. Faz-nos voltar à infância, quando não éramos constantemente bombardeados por coisas (apenas coisas) que hojem caem de todo o lado, como a música estridente em espaços públicos como elevadores ou a Praça Leya na Feira do Livro de Lisboa… De volta ao novo álbum da Bruaá: o segundo motivo de alegria é que quando pensamos que o nosso conhecimento nos permite prever o próximo livro, enganamo-nos. Não porque seja o oposto do que esperávamos, mas porque sempre diverge um pouco, sempre nos espanta. E o espanto é também raro nos dias que correm. Porque o espanto é bem diferente da surpresa, que é imediata e não produz mudança, apenas reacção. O espanto obriga ao silêncio.
Finalmente, a continuidade artística, que une todos os pontos bruaá numa economia textual minimalista e em traços contidos. Desta simbiose sempre resulta uma unidade narrativa e poética, da qual nada se desvia, nada nasce lateralmente nos livros. Não há uma profusão de elementos que indiciam avanços narrativos, ou destacam momentos mais relevantes. A contenção estética obriga à concentração, à disponibilidade, ao deleite.
O quarto livro, O Ponto, esclarece a argumentação apresentada e responde com arte aos devaneios contemporâneos. Simplesmente.