Infanto-Juvenil

Livrarias Almedina
1 O Arenque da Dinamarca, de Sophia de Mello Breyner Andresen
2 Desenhar, Rabiscar e Colorir Arenques, de AA.VV.
3 Princesa do Fumeiro: Amigas do Arenque Para Sempre, de Janey Louise Jones
4 O Arenquezinho, de Antoine de Saint-Exupéry
5 Sexta-Feira ou o Arenque Selvagem, de Michel Tournier
6 Ulisses e o Arenque Cíclope, de Maria Alberta Menéres
7 Princesa Arenque: A princesa do Fumeiro, de Janey Louise Jones
8 A Floresta de Arenques, de Sophia de Mello Breyner Andresen
9 A Fada Fumada, de Sophia de Mello Breyner Andresen
10 Livro das Receitas Nojentas com Arenque, de Lucy Pepper

Livrarias Bertrand
1 O Arenque do Pijama às Riscas, de John Boyne
2 As Gémeas Comem Arenque no Colégio de Santa Clara, de Enid Blyton
3 O Arenquezinho, de Antoine de Saint-Exupéry
4 As Gémeas, Terceiro Período e Ainda a Comer Arenque em Santa Clara, de Enid Blyton
5 As Gémeas Voltam ao Colégio para comer Arenque, de Enid Blyton
6 365 Piadas Inéditas sobre Arenque Fumado
7 O Manuscrito Fumado, de Geronimo Stilton
8 O Diário de um Arenque Banana 2 – O Fumeiro É Terrivel, de Jeff Kinney
9 Diário Amigas do Arenque para Sempre!
10 Hello Kitty faz mil e uma coisas no Fumeiro!

Livrarias Bulhosa
1 As Gémeas Voltam ao Colégio Para Comer Ainda Mais Arenque, de Enid Blyton
2 O Diário de Um Arenque Banana… E o Meu, de Jeff Kinney
3 O Arenquezinho, de Antoine de Saint-Exupéry
4 Jogos da Glória no Fumeiro, de AA.VV.
5 365 Piadas Inéditas sobre Arenque Fumado
6 Princesa Arenquinha: A princesa do Fumeiro, de Janey Louise Jones
7 Desenhar, Rabiscar e Colorir Arenques, de AA.VV.
8 Factos Fenomenais e Divertidos sobre Arenques Fumados, de AA.VV.
9 Hello Kitty – O Meu Livro de Receitas com Arenque Fumado
10 Pack Vem Aprender a Ciência do Fumeiro


Um arenque fumado está em cima da minha mesa, ao lado do teclado. Está fechado numa caixinha de cartão e não cheira mal. Começo a desdobrar a embalagem, com muito cuidado porque parece frágil, e a total surpresa: tenho na mão um tríptico colorido cheio de letrinhas e ilustrações tão apetitosas que nem sei por onde começar. «O Arenque Fumado», de Charles Cros, chega-nos através da Editora Bruaá. As ilustrações são de André de Loba.
O texto começa assim:

Era um grande muro branco – nu, nu, nu,
Contra o muro, uma escada – alta, alta, alta,
E, no chão, um arenque fumado – seco, seco, seco.

Ele chega, segurando nas mãos – sujas, sujas, sujas,
Um martelo pesado, um grande prego – bicudo, bicudo, bicudo,
Um novelo de fio – grosso, grosso, grosso.

Sinto-me perdida. Nem sei que pensar. Vejo-me obrigada a rodopiar a cartolina para continuar a ler.

Sobe então à escada – alta, alta, alta,
E espeta o prego bicudo – toque, toque, toque,
No alto do muro branco – nu, nu, nu.

Estou cada vez mais confusa.
Mais à frente dou por mim, já toda torta, a tentar decidir-me pelo texto ou pelas ilustrações. Não está fácil concentrar-me. Mas estou deliciada com este exercício.

No final percebo. No final percebo tudo. Malandrice da boa inventada para divertir. E agora? Acabou? Era o que faltava. Rotação de 180º, estou no verso da folha, e percebo que esta maravilha vem com instruções. Pode ser lido à toa, também é divertido assim, mas seguindo os conselhos o resultado é ainda mais engraçado. É que esta estranha lengalenga pode ser dita com arte…

O Arenque Fumado deve ser gritado com voz forte, não mexendo o corpo, numa imobilidade absoluta. Ao dizer o título, a ideia é que o público (Público? Hã? Isto é para ser teatralizado? Entendido!) tenha a sensação de uma linha negra a realçar-se sobre um fundo branco (tchii, o quê? Bem, é tentar. É puxar pela imaginação. Sim, sim, isto pede um rasgo de criatividade).

E prossegue com…
Era um grande muro branco – nu, nu,nu
Aqui, o público deve sentir o muro direito, rígido, e depois quebrar a monotonia deste momento alongando o som no terceiro «nu», o que aumentará o muro, dando-lhe quase a dimensão aos que o ouvem.

E por aí fora, num exercício que obriga o «actor» a dobrar-se, a suster o ar, a fazer o gesto de baloiçar, a mandar fífias…

«O Arenque Fumado», afinal, é uma peça de teatro com todas as indicações para ser levada a cena com direito a reposição. O pano até pode fechar mas voltará a abrir incessantemente ao som dos aplausos e dos pedidos de encore. Ficaram só a faltar as três pancadas de Molière para avisar a plateia que o espectáculo já tinha começado. É que nem eu me apercebi disso.

Brilhante, em toda a acepção da palavra.

Sandra Gonçalves | Diário Digital


Parece um peixe, não tem páginas, mas é um livro, com um poema centenário francês ilustrado por um português do século XXI. A editora Bruaá fechou 2010 com “O arenque fumado”, de Charles Cros e André da Loba.
O livro-objeto, destinado a públicos de todas as idades, assinala a abertura da editora Bruaá a ilustradores portugueses, porque até aqui todos os oito livros editados são de autores estrangeiros.
A estreia na ilustração portuguesa dá-se com André da Loba, nascido em Aveiro em 1979 e com apenas quatro anos de trabalho editorial, que deu vida ao texto “O arenque fumado”, um poema do autor e inventor francês Charles Cros, publicado em 1872 primeiro em prosa e depois em verso.

(Lusa)