O blogue inglês Picturebook Makers convidou a Violeta Lópiz a escrever sobre a gestação do livro “Amigos do Peito”. Aqui fica a ligação para o seu texto em que, com Lisboa como cenário e banda sonora de José Afonso, partilha os desafios encontrados no processo de construção deste álbum. A não perder.



O próximo autor a juntar ao nosso catálogo dispensa apresentações: Ivan Chermayeff, um dos maiores nomes do design gráfico mundial que, em conjunto com Tom Geismar (http://www.cgstudionyc.com), concebeu algumas das imagens mais icónicas do séc. XX. Quem é que já não se cruzou com os logotipos da Mobil, da National Geographic ou da NBC? Em Portugal, deixou já a sua marca no Oceanário de Lisboa, projecto da autoria do seu irmão Peter, num enorme painel de azulejos repleto de animais marinhos no Pavilhão dos Oceanos. Para além do design, o prolífico trabalho de Ivan Chermayeff passa pela pintura e ilustração, tendo já ilustrado autores como Kurt Vonnegut, Ogden Nash e Sandol Warburg.
Com a Bruaá editará pela primeira vez um dos seus projectos mais pessoais de sempre intitulado “Um nome para o cão”, um diálogo humorístico que resulta de pedaços de conversas que ouviu entre o seu filho Sam, então com 3 anos, e um amigo.
Este é o primeiro de três livros que resultará desta parceria que muito nos honra, sendo, ao mesmo tempo, o segundo livro da nossa trilogia canina iniciada com “Arturo” e que terá o seu terceiro elemento com a reedição de um livro muito cãotita da lavra de um artista português.

 


Como é que pode um miúdo português ler uma história que está escrita em persa? Da mesma maneira que um miúdo persa lê uma história escrita em português. Vai ao final do livro e vê a tradução. É isso que acontece neste livro, que tem um toque de magia no final. Como o mais provável é os leitores não perceberem peva de persa, à medida que se lê a história parece que os caracteres esquisitos são uma simples tradução. Errado. As histórias são bastante diferentes e ao mesmo tempo bastante iguais. É por isso que há por aqui uns pós de perlim pim pim.
Ana Kotowicz

Há muito que a bruaá nos tem habituado a livros que se oferecem ao toque como peças de arte trabalhadas à mão. Desta vez, a proposta é a de um livro que permite a leitura em duas línguas tão diferentes quanto o sol e a lua: o Português e o Persa. Porém, aquilo que à partida é antevisto como uma história comum traduzida em duas línguas diferentes será, no final, muito mais do que isso. Continuar a ler

Je suis très impatiente et heureuse de recevoir l’édition en Portugais de mon livre le Jardin de Babaï ” O jardim de Babaï “, chez une belle maison d’édition: éditions Bruaá. Cet album continue son bonhomme de chemin et me mène indirectement dans des contrées où je rêve d’aller… J’ai hâte de le voir!

Mandana Sadat




Marco Somà, com as suas ilustrações para “A rainha das rãs não pode molhar os pés” foi um dos seleccionados para a “Mostra degli illustratori” da Feira de Bolonha 2013. Portugal fica representado pela ilustradora Mariana Rio que, no ano passado, ilustrou o livro “Quebra Cabeças”, com texto de Helena Carvalho e publicado pelas Edições Eterogémeas.

Consultar a lista completa.



Magias 
Há quem queira adquirir faculdades mentais utilizando o método faquírico. É um erro. Cada um deve ter o seu método. Quando eu quero fazer aparecer uma rã viva (uma rã morta é muito fácil), não me forço a isso. Aliás, ponho-me a pintar um quadro mentalmente. Formo as margens de um rio, escolhendo bem os meus verdes, depois espero pelo rio. Passado algum tempo, atiro uma varinha sobre a margem; se se molhar, posso ficar tranquilo, só tenho de aguardar um bocadinho que logo aparecem as rãs a saltar e a mergulhar. Se a varinha não se molhar, terei de renunciar ao meu esforço. Então, faço a noite, uma noite bem quente e, com uma lanterna, passeio pelo campo. É raro que tardem a coaxar. Isto não tem nada a ver para o caso. Mas tenho de o dizer, está à minha frente, está a acontecer: Vou ficar cego.

 
Henri Michaux
Tradução de Margarida Vale de Gato
in Antologia, Relógio D’Água, 1999
Ilustração de Marco Somà


Em “Esqueci-me como se chama” temos os dez mandamentos do disparate: uma história que nunca o chega a ser; uma conversa sobre o jardim zoológico em se confunde um leão com um tentilhão; uma louca corrida à volta de um lago entre um leão, uma girafa, uma avestruz, um veado, um alce, um cavalo selvagem e um cão; uma estranha motivação para enfiar colheres de óleo de peixe garganta abaixo; um ouriço armado em corajoso; um problema de linguagem à volta do nome de uma das muitas gueixas do galo de capoeira; uma espécie de ensaio sobre a forma mais sensata de levar um burro casmurro a entrar nas portas da cidade; o estranho desaparecimento de Karl Ivánovitch; um circo de nome Printinpram, que oferece um programa espectacular; uma viagem a custo zero, por entre muita discussão, ao Brasil (ou será Brasíluvo?). Continuar a ler


3 (2 figueirenses, 1 alfacinha) das 28 sugestões de Verão na secção de livros do suplemento Actual | Expresso. Texto de Sara Figueiredo Costa.




I was thrilled today when this colorful book illustrated by André da Loba arrived! André da Loba is a maker of images, toys, animations, and is an amazing storyteller. He was one of the first, and also the best, teacher I had studying illustration at Parsons. André’s work shows so much illustration can be: in class he brought to life painted wooden blocks, built cardboard animals, and painted with brooms on huge paper. This book is no exception to André’s brilliance. LER +



Estou com sono. Estou com muito sono mas não vou dormir. Abro de novo o portátil. Uma luzinha azul treme, indicando falta de bateria. Agarro num bloco e num lápis. Estou com sono mas não vou dormir. Vou escrever. Vou escrever sobre um homem. É alto, muito magro, excessivamente magro. Assustadoramente magro. Está inclinado sobre uma mesa. A mesa está torta. Embrulhada num pano, uma fatia de pão escuro, duro. É de noite e está frio, um frio russo, mas a lareira está apagada, húmida. O homem escreve depressa, quase sem respirar. As folhas amarrotadas cobrem-se com a sua letra inclinada. Os cadernos são grosseiros, desiguais, as folhas desprendem-se e algumas caem no chão. No pequeno quarto desnudado, destaca-se um armário, gavetas meio abertas, atulhadas de folhas atadas com cordel. Folhas de papel também nas cadeiras esqueléticas, e sobre a cama desfeita, no canto. Do outro lado, ao pé das três janelas, uma cadeira de baloiço. O homem vira-se de repente para a porta, escutando os passos pesados, autoritários, apressados, subindo as escadas. O rosto, agora iluminado, está brilhante, pequenas gotas de suor nas têmporas arruivadas, os olhos claros inundados por uma vermelhidão líquida. No meio da testa, a marca profunda do franzir dos loucos entre as sobrancelhas salientes. Insolências sobrantes, ironias íntimas, provocações disfarçadas, esculpiram-lhe marcas de risos antigos nas faces encovadas. O homem levanta-se e, em movimentos rápidos, precisos, antecipatórios, baixa-se junto à cama e puxa uma mala esburacada, cujos fechos estalam sob a pressão dos dedos longos. O barulho dos passos é cada vez mais intenso.(…)

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Com ilustrações de Gonçalo Viana e tradução a partir do russo de Nina Guerra e Filipe Guerra, “Esqueci-me como se chama” reúne 10 textos da obra infantil de uma das vozes mais originais da literatura russa do séc. XX: Daniil Harms.
Histórias e poemas humorísticos, sempre dominados por uma visão absurda, subversiva e carnavalesca do quotidiano, onde ficamos a conhecer a Lenotchka, que frustra todas as tentativas do seu amigo Igor para escrever uma história, porque, segundo ela, todas as histórias por ele imaginadas já foram escritas. Assistimos a um hilariante diálogo sobre uma visita a um jardim zoológico e a uma corrida que alguns animais fazem para descobrir quem será o mais rápido. Conhecemos o Vova, personagem que parece estar condenado a beber eternamente óleo de peixe. Tentamos descobrir como gritam os ouriços e como é possível alguém não conseguir dizer gaulinha, quer dizer, gaulinhalinha, ou seja, galinhalenha… Ficamos a saber como contrariar a teimosia de um burro. Aceitamos o convite do autor, que nos envia uma fotografia para desvendar um caso misterioso. Vamos até ao espectacular circo Printinpram e, no final, travamos amizade com o Kolka Pânkin e o seu amigo Petka Erchov, acompanhando-os na sua imaginária viagem até ao Brasil. Enfim, um conjunto de histórias e poemas que são uma boa amostra da produção para a infância de Harms, onde, como poucos, consegue captar o dia-a-dia, as brincadeiras e comportamentos infantis, juntando-lhes fantasia e absurdo quanto baste.




Meninas e meninos, senhoras e senhores, respeitáveis e adorados leitores, aí está o nosso 10º livro: Isto ou aquilo? de Dobroslav Foll.

É uma cegonha? É uma tesoura? É isto ou aquilo, conforme o nosso olhar quiser. 47 anos depois da sua edição original, na Checoslováquia, com o título Co se cemu podobá?, eis que nos chega mais um livro intemporal. Um livro-jogo que se deixou encontrar o ano passado num alfarrabista em Praga.


Parece um peixe, não tem páginas, mas é um livro, com um poema centenário francês ilustrado por um português do século XXI. A editora Bruaá fechou 2010 com “O arenque fumado”, de Charles Cros e André da Loba.
O livro-objeto, destinado a públicos de todas as idades, assinala a abertura da editora Bruaá a ilustradores portugueses, porque até aqui todos os oito livros editados são de autores estrangeiros.
A estreia na ilustração portuguesa dá-se com André da Loba, nascido em Aveiro em 1979 e com apenas quatro anos de trabalho editorial, que deu vida ao texto “O arenque fumado”, um poema do autor e inventor francês Charles Cros, publicado em 1872 primeiro em prosa e depois em verso.

(Lusa)