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Uma nova editora dedicada à literatura infanto-juvenil lança-se este mês com “A Árvore Generosa”, de Shel Silverstein, sobre “a relação altruísta entre uma árvore e um menino”, já traduzido em trinta línguas, mas inédito em português.

Miguel Gouveia, editor da Bruaá, disse à Agência Lusa que o contacto com este livro, editado pela primeira vez em 1964 nos Estados Unidos, “foi decisivo” para avançar com a criação da nova editora que pretende “apostar em escritores e ilustradores de grande qualidade”.

“A Árvore Generosa”, já considerada um clássico mundial na área da literatura infanto-juvenil, foi criada pelo escritor e ilustrador norte-americano Shel Silverstein, falecido no final dos anos 90.

Traduzida em trinta línguas, “chegou a ter várias interpretações por parte do público, desde a mensagem ecológica, amorosa, religiosa e até as feministas viram na árvore um símbolo da mulher”, recordou Miguel Gouveia, sobre o seu impacto ao longo de várias décadas.

Contudo, Shel Silverstein explicou na altura que o livro é sobre “uma relação em que um dá e o outro tira, uma relação altruísta entre um menino e uma árvore”, que vai acompanhando a criança ao longo da vida, oferecendo maçâs, sombra, o tronco para se balançar, “e tudo isto a fazia feliz”.

Devido a esta ligação à ecologia surgiu o apoio na divulgação da obra por parte da Direcção-Geral dos Recursos Florestais e das organizações ambientalistas Quercus e Liga para a Protecção da Natureza, onde a obra será lançada, tal como a editora, no dia 24 de Março, pelas 18:30.

Shel Silverstein “mais conhecido nos Estados Unidos pela força da sua poesia, foi também ilustrador, cantor e letrista”, tendo escrito, nomeadamente a música “A Boy named Sue” para Johnny Cash, indicou o editor, que é também professor de português e inglês numa escola britânica em Carcavelos, onde é frequente a realização de sessões de leitura.

O contacto regular com a literatura infantil num ambiente não português proporcionou a Miguel Gouveia a possibilidade de cruzar leituras e referências, acabando por “testar” os livros com os seus jovens alunos.

“Quando me deparo com livros muito bons quero logo partilhá-los com os meus alunos”, disse, sublinhando a preferência por nomes e correntes de autores alternativos.

A Bruaá quer “apostar em autores que nunca foram divulgados em Portugal. O nosso mercado de literatura infanto-juvenil ainda é muito dominado por alguns nomes que publicam livro após livro, mas existem de certeza outros que não conseguem ter uma oportunidade”, sustentou.

Neste ano de lançamento da editora Bruaá – que se define como “uma pequena empresa quase familiar” – o projecto é editar seis livros de autores estrangeiros, cinco deles inéditos em Portugal, e numa segunda fase abrir-se a autores portugueses.

Até agora está garantida a distribuição em seis livrarias do país, e futuramente a editora quer negociar a penetração nas grandes cadeias como a FNAC e a Bertrand.

Bruaá, palavra de origem francesa que designa o rumor confuso de muitas vozes mescladas com ruídos vários, é “exactamente o que se ouve quando se abre um livro” disse Miguel Gouveia a propósito do nome escolhido para a nova editora.

“A Árvore Generosa” terá 1.500 exemplares no mercado, uma dimensão de tiragem que passará a ser a média dos livros destinados ao público infanto-juvenil lançados por esta editora, sediada na Figueira da Foz.

AG.

Lusa/Fim

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