Bruaá edita “Lágrimas de Crocodilo”.

O livro infantil “Lágrimas de crocodilo”, que o cartoonista e ilustrador francês André François publicou em 1956, vai ser editado na próxima semana em Portugal pela editora Bruaá. No livro, André François explica aos mais novos o que é a expressão “lágrimas de crocodilo”, pondo um pai a contar ao filho uma história absurda, mas divertida, sobre uma ida ao Egipto para apanhar um crocodilo no rio Nilo. “Apanhar um crocodilo é fácil. Só é preciso é uma caixa de madeira e uma viagem de barco até ao Egipto”, diz o pai no começo da história que a Bruáa se prepara para lançar. “Lágrimas de crocodilo” foi editado originalmente em 1956, num formato que lembra o envelope de uma carta, uma edição que a Bruaá irá respeitar, embora tenha havido edições internacionais diferentes.
“Este é um daqueles livros essenciais para compreender a evolução do álbum. É a combinação perfeita entre o texto, a ilustração e o formato”, explicou à agência Lusa Miguel Gouveia, da Bruaá. O editor elogia “o jogo textual muito inteligente, absurdo e nonsense” de André François, tendo em conta que o livro foi editado em 1956. “Lágrimas de crocodilo” está traduzido em 14 línguas e recebeu o prémio de melhor livro ilustrado pelo jornal New York Times.
André François, que nasceu no seio de uma família húngara e se naturalizou francês, trabalhou em pintura, escultura, mas ficou conhecido sobretudo no design gráfico e pelos seus cartoons satíricos que influenciaram várias gerações.
Com Jacques Prévert publicou em 1952 “Lettres des “les Baladar” (1952) e com John Symonds publicou títulos para a infância como “The magic currant bun” (1953), “Tom & Tabby” (1963), “Grodge cat & the window cleaner” (1965), todos inéditos em Portugal. Grande parte da sua obra ardeu num incêndio na sua casa em finais de 2002 e nos anos seguintes André François tentou construir novo património visual até à morte, em 2005, aos 89 anos. Bruaá lança “Lágrimas de crocodilo” em co-edição com a editora francesa fundada por Robert Delpire, grande amigo de André François.
A Bruaá cumpre agora dois anos de existência desde que editou em Março de 2008 o livro “A árvore generosa”, de Shel Silverstein, que vai já na terceira edição.
Até hoje, a editora lançou apenas seis títulos, mas todos eles se destacam pela edição cuidada, por terem sido premiados internacionalmente, pela relevância na área da ilustração infantil e pelos autores.
Entre eles contam-se “O livro negro das cores”, de Menena Cottin e Rosana Faría e “A grande questão”, de Wolf Erlbruch, que tem actualmente uma exposição retrospectiva no Museu da Electricidade, em Lisboa, no âmbito da Ilustrarte.
Texto de Sílvia Borges da Silva | LUSA
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