Um fio de espera para viajar na vida

Eu espero… estranha interpelação… que nos chega dum pequeno álbum com o formato de envelope administrativo. À janela, um rosto de criança, simultaneamente destinatário e remetente, em busca do sentido da vida. Vasto projecto no qual o livro infanto-juvenil não se priva de colher imagens, símbolos, narrativas iniciáticas, parábolas às faces infinitas, entranhados em situações, linguagens concretas que nos conduzem a uma diversidade de leituras. Quando é conseguido, a criança não encontra respostas feitas, mas sim pontos de referência, novelos de sentido para tricotar as suas relações secretas com o percurso recatado da existência.Eu espero… Davide Cali e Serge Bloch desenrolam o fio vermelho das esperas da vida. Um fio vermelho esticado à medida da vontade de crescer, que se desenrola ao longo das páginas em detalhes comovedores tanto como a pontuação. Infância, maturidade, morte, renascimento são termos que ganham profundidade apesar de serem extraídos de representações minimalistas que se estendem no tempo e que se juntam à verdadeira banalidade das frases do quotidiano. Quantas emoções, risos, dores, esperanças destiladas numa trintena de desenhos com traços de pura sensibilidade e em menos de cem palavras…verdadeira arte e para a criança um passaporte único para a viagem que se segue.

Bernard Épin – L’humanité – 2005

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